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O sucesso que custa a vida inteira não é sucesso. Cuidado: o tempo não volta
A vida é o intervalo entre dois eventos que não controlamos: o nascimento e a morte. O começo não foi escolha nossa. O fim também não será. Mas o meio, esse espaço inteiro entre um ponto e outro é, em grande parte, responsabilidade nossa.
Sabemos que nem tudo será bom. Alguns períodos serão ótimos, outros apenas razoáveis, e alguns inevitavelmente ruins. O papel de cada um de nós é fazer com que, na média, a vida seja boa. Sustentável. Que faça sentido quando olhamos para trás.
É justamente aí que vejo muitos executivos se perdendo.
Uma parcela enorme da vida acaba sendo entregue ao trabalho. Não porque o trabalho seja ruim, longe disso, mas porque ele passa a ocupar um espaço que não deveria ocupar sozinho. Vida não é só trabalho. E quando vira, a conta chega. Sempre.
No Brasil, o “oficial” ainda é algo como trabalhar das 8h às 18h. Na prática, grande parte dos líderes trabalha muito mais do que isso. São 10, 12, às vezes 14 horas por dia, se considerarmos deslocamento, reuniões fora de hora, mensagens à noite, decisões que não desligam nunca. O trabalho passa a invadir tudo.
O problema é que esse excesso vai sendo normalizado. Vira sinal de comprometimento, de ambição, de responsabilidade. Até que um dia vira cansaço crônico, relações fragilizadas, saúde comprometida e uma sensação incômoda de que algo importante ficou para depois tempo demais.
Uma vida mais prazerosa, quase sempre, é uma vida com mais variedade. Trabalho é uma parte importante, sim, mas não é a vida inteira. Equilíbrio exige cuidado com várias dimensões: trabalho, estudo, aprendizado contínuo, família, relações, lazer, descanso, espiritualidade, independentemente de religião, mas a capacidade de acreditar em algo que faça sentido além de você mesmo, e também tempo para estar consigo.
Quando se trabalha 10 ou 12 horas todos os dias, sobra pouco espaço para tudo isso. E o pouco que sobra vem cansado, fragmentado, apressado.
Existe ainda um mito perigoso: o de que trabalhar mais horas significa entregar mais resultado. Na prática, 6 a 8 horas bem organizadas, com foco e clareza, costumam gerar mais qualidade, melhores decisões e mais consistência do que jornadas intermináveis. Saber se organizar e, principalmente, saber colocar freio, virou uma competência essencial de liderança.
Quem não coloca limite paga com juros altos. Perde clareza, perde energia, perde prazer e muitas vezes perde justamente aquilo que o trabalho deveria ajudar a construir: uma vida melhor.
Talvez o ponto mais duro seja este: não deixe para descobrir tarde demais que você deixou de viver coisas importantes. O tempo não volta. Não dá para compensar depois anos vividos no automático, empurrando a própria vida para algum “quando der”.
Carreira é importante. Sucesso é importante. Mas o sucesso que custa a vida inteira não é sucesso. No fim, o que realmente importa é conseguir olhar para o intervalo inteiro e pensar, com honestidade: na média, valeu a pena.
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