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O fim do home office? O que os dados e a prática estão mostrando na nossa região
O que se observa hoje é um predomínio claro do modelo presencial. Com base em uma pesquisa realizada com Heads de RH da nossa região, somada às sondagens recorrentes que fazemos com clientes da KeepTalent, aproximadamente 70% a 75% das empresas atuam em regime 100% presencial.
Esse dado, por si só, já desmonta uma percepção ainda comum no mercado: a de que o trabalho remoto ou híbrido segue sendo a regra. Não é.
Durante o período entre 2021 e 2023, impulsionado pela pandemia, o trabalho remoto — ou ao menos o modelo híbrido — deixou de ser diferencial e passou a ser expectativa básica em muitos processos seletivos. Esse movimento alterou profundamente o mercado, ampliou a mobilidade dos profissionais e forçou empresas a se adaptarem rapidamente.
O cenário atual é outro.
O trabalho remoto integral não desapareceu, mas tornou-se pontual e bastante específico. Ele aparece, principalmente, em empresas globais ou em funções já desenhadas para operar à distância. Mesmo nesses casos, costuma estar restrito a uma parcela pequena dos cargos, normalmente inferior a 10% do quadro.
O modelo híbrido segue existindo, mas em escala menor do que nos anos imediatamente pós-pandemia. Hoje, algo em torno de 20% a 25% das empresas ainda adota algum formato híbrido. Porém, com regras mais claras e exigência maior de presença física. Na prática, isso costuma significar três ou mais dias presenciais por semana, o que muda bastante a percepção de flexibilidade que existia anteriormente.
Há ainda um ponto pouco discutido nesse debate: o trabalho híbrido não resolve o tema da distância. Ele funciona bem apenas dentro de um raio geográfico limitado, geralmente de até 50 quilômetros da empresa. Isso reduz a mobilidade real e limita contratações fora da região, apesar do discurso de flexibilidade.
Quando olhamos especificamente para funções de gestão, coordenação e liderança, a tendência se intensifica. Praticamente não existem posições de liderança 100% remotas no mercado regional. E mesmo o híbrido, quando aparece, costuma ser exceção. A presença voltou a ser vista como elemento-chave para alinhamento cultural, velocidade na tomada de decisão, proximidade com o time e efetividade da gestão.
Nada disso significa que o mercado “voltou no tempo”. O que está acontecendo é uma recalibragem. Depois de um período de experimentação intensa, as empresas estão ajustando seus modelos à realidade do negócio, da cultura e dos resultados que precisam entregar.
E o risco de errar a mão
Para as empresas, talvez o maior desafio agora seja não transformar o presencial em um dogma. Não existe um modelo único que funcione para todos os contextos. Pensar assim pode, inclusive, dificultar a atração e a contratação de profissionais mais qualificados em determinados cenários.
Em alguns casos, abrir espaço para exceções bem avaliadas — e não para regras genéricas — pode ser decisivo para formar times mais competentes, maduros e aderentes às necessidades do negócio.
A pergunta talvez não seja se o home office morreu.
Mas sim: onde ele ainda faz sentido — e onde nunca fez.
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